2 Fevereiro, 2009...11:57 pm

A nova moda literária – II

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Por Evandro J.R.S.

 

Para ler a primeira parte deste post clique aqui.

Poster do filme.Mas parecia que esse gênero caminhava para o esquecimento, até que em meados de 2000 um filme adaptou essa grandiosa história, lançando o formato da trilogia cinematográfica – na verdade já havia sido lançado esse formato, mas não com tanto respaldo quanto O Senhor dos Anéis.

Depois então desse tremendo sucesso, quase toda e qualquer história era agora pensada como uma trilogia. De repente, livros de grande valor literário, como Crônicas de Nárnia foram novamente trazidos à tona, e muitos outros sendo criados.

Felizmente, poucos são os que são adaptados para o cinema, e digo o porquê de ser uma boa notícia: formou-se uma nova moda literária.

Milhões de novos escritores – inclusive eu – surgiram e escrevem seus livros no anonimato. Alguns realmente escrevem bem, tem muita criatividade e conseguem criar uma obra realmente nova. Porém, infelizmente, mais da maioria segue o script padrão: Num mundo novo, onde há elfos, orcs, dragões, árvores que andam e falam, magos e feiticeiros, surge um grande mal, onde somente um escolhido poderá derrotá-lo. Esse escolhido é então iniciado na alta magia, ou então se torna um bravo e grandioso guerreiro que se levanta e leva consigo hostes de elfos, anões e todo mundo do bem e lança-se numa guerra imensamente gigante contra o vilão super-poderoso, quase invencível e suas hostes do mal.

Não bastasse o fato do script universal ser seguido, boa parte desses mal sabem ler, quanto mais escrever. Ou o que eu considero pior: são excelentes leitores, e sabem muito escrever, porém não tem criatividade e escrevem uma história que já existe, só que com outras palavras.

Infelizmente até aqueles que conseguem fugir de boa parte desse script, ainda se vêem presos em parte dele. O que podemos ver é a série Eragon, Eldest e agora Brisingr: não conseguiu fugir da parte do escolhido, dos elfos, etc.

Quanto aos outros autores que inventaram mundos próprios, o que mais empobrece suas obras é o fato de que aquele mundo tem apenas uma história recente, e todas as outras histórias estão num passado distante que explicam o que está acontecendo agora, e toda a trama se resume numa minúscula parte do planeta.

Outro erro de todos os novos escritores é não pensar numa obra sólida. Agora pensam diretamente numa trilogia, ou mais recentemente – graças a Deus – numa série de quatro ou mais livros (finalmente se libertando da trilogia!). O mais interessante é que geralmente já fazem uma cotação de cerca de quatrocentas páginas pra cada volume. No fim acabam por ficarem frustrados depois de escreverem tudo o que tinham em mente e sair somente um volume de duzentas páginas.

Enfim, por influências externas, acabamos por empobrecer nossa literatura, fazendo surgir uma modinha literária já saturada de histórias iguais e/ou repetidas. Infelizmente, a tendência é que, se de repente alguém conseguir produzir uma nova história desse gênero, sem copiar ou prender-se ao script universal, vai acabar por fazer surgir um segundo script universal. Bem, melhor duas histórias que uma.

Melhor ainda: ao menos uma nova história criativa, que milhares de contos iguais.

Este texto foi originalmente publicado no blog do autor: http://evandrojrs.wordpress.com/

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